O Fabuloso caso de Isabella M.Basso

"Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar, dizer que aprendi. E na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri."

Uma certa vez me perguntaram como eu me sentia tendo três mães, confesso que me sinto o cara mais amado, protegido e abençoado do mundo embora a vida tenha me pregado algumas peças e rasteiras que insistam em me mostrar o contrário. Mas por que? Vocês já viram como é o olhar de uma mãe? Como uma mãe tem super poderes e mutações incríveis como se não fossem desse mundo? Imagina todo esse amor imensurável, essa super proteção, essa resilência, esse carinho e empatia que em mães já são completamente  em níveis absurdamente maiores por seus filhos, multiplicado por três. Eu só tenho a agradecer.

Com uma delas, a que me gerou, planejou, desejou e me trouxe ao mundo eu passei 10 anos da minha vida, e hoje é sobre ela que eu venho falar. Isabella as vezes Isa mas muitas vezes bela foi a mulher que mais me ensinou sobre resiliência sobre "ser feliz". Foi a pessoa que me fez aprender que felicidade é só uma questão de ser e que o que esta a sua volta não pode nem deve interferir em como você se sente.


Eu me lembro muito dos dias com ela embora fosse bem novinho na época. Sou filho único mas nunca me senti uma criança sozinha, me lembro nas inúmeras brincadeiras que ela inventava pra brincarmos juntos no quintal ou até mesmo no chão frio da sala de casa. Vi naquela sala aquela mulher muitas vezes ser pirata, ser dragão, vi ela virar fada e ser princesa mas até hoje ela é minha rainha.

Aos meus 5 anos ela em um desejo absurdo de ser mãe novamente descobriu a leucemia, não encarava a doença como uma interrupção de um sonho mas sim como mais um obstaculo que ela teria que vencer.  Vi aquela mulher apesar das debilidades e das limitações que a quimioterapia causavam não deixar um dia se quer de sorrir. E não, não era um sorriso forçado ou aquele sorriso mascarando a dor que só quem não a conhecesse acreditaria. Ela realmente, sorria! Ah aquele sorriso leve era e é bálsamo pra minha alma,  leve,  envolvente,  como posso dizer?! Fabuloso! Por que era mesmo como uma fábula, um conto de fadas, algo inexplicável e surreal. Era o farol pra um mundo só dela, o mundo onde era ela a rainha e sua delicadeza e leveza só mostravam o quão forte ela era.

E pude ver sua vaidade ser afetada ao longo das químios intermináveis, a queda de cabelo a falta da sobrancelha a tornear o rosto. Mas eu nunca a vi deixar de sorrir. Eram todas as manhas um ritual, diante do espelho ela se olhava como se visse a mulher mais linda do mundo, sorria, escolhia uma roupa que a fizesse se sentir bem e um lenço. Ora usava como um turbante, ora como um rabo de cavalo em forma de lenço, ora me enroscava neles pra não me deixar escapar de seus beijos.  Mas o acessórios mais bonito sempre foi o seu sorriso.

Isabella fabulosamente foi Feliz, mesmo vendo seus sonhos irem ao chão, mesmo vendo a batalha que estava por vir, mesmo sabendo dos riscos que corria, ela sorria. Inexplicavelmente ela sorria e hoje eu não sei como é não lembrar dessa mulher ou não pensar em tudo que aprendi sem sorrir.

Embora muitos pensem que o caso é triste, eu acredito que triste é não entender o que esse caso diz. Que embora o mundo seja um lugar sombrio algumas vezes, embora tudo pareça tão pesado em outras, você escolhe pelo que sofre e pelo que ri. E não tem melhor escudo ou lanterna nesse mundo, que um sorriso.


Auto sabotagem, você também pratica.

As vezes você começa a questionar as coisas que acontecem a sua volta. Não por que não ache correto ou por que tenha duvidas. As vezes nos questionamos pela simples mania de nos testar. Será mesmo que é isso que eu quero? Por que suporto isso? Será que isso me faz bem? As vezes esses testes nos mostram que por ventura ou capricho tomamos decisões erradas. As vezes não, as vezes apenas afirmam o quanto estamos no caminho certo mas temos a mania de nos auto sabotar, de nos auto julgar por não seguirmos o padrão esperado.


O que lhe impede de ser feliz com sua escolha? Fulano e ciclano pensarem de outra forma? Você cria duvidas se esta certo por que simplesmente se viu tomando uma decisão que julgava jamais tomar?! Mas se te faz feliz, qual o problema? Por que não  pode assumir um amor a distância? Por que a maioria acha coisa de adolescente e que não da certo? Por que não pode acreditar que aquela carreira não muito conhecida vai te dar um futuro brilhante? Por que nenhum parente teu próximo, ou amigo conhece tal profissão e te diz logo de cara que não vai dar grana?! Por que não vai mais fazer aquela viagem? Por que ouviu muitas vezes que é loucura deixar tudo pra trás?

Por que temos medo de assumir uma escolha quando ela vai contra a maioria das opiniões alheias? Por que temos tanto medo de sermos julgados, loucos, errados, sonhadores por escolher algo fora do padrão? Por que? Me peguei pensando nisso por esses dias, não acho que tenho que ter vergonha de assumir minhas escolhas, se não tenho vergonha de assumir minhas fraquezas e meus erros, meus medos. Nada garante que ser um bom analista de sistemas vai me dar um futuro brilhante, assim como nada me garante que vender arte na praia não vai me dar. Então por que  a coragem de arriscar em um e o medo de outro? Por que ouvi dizer que um ou outro não da futuro? E se comigo der? E se comigo tudo for diferente?

E se um romance a distancia me render filhos? Casamento? Bodas de vinho? Só por que fulano não teve sorte eu também não vou ter? Tenho sido meu maior obstaculo, tenho me auto-sabotado e confesso mudar isso em minha mente não anda sendo fácil. Mas dias atras andei percebendo que não sou o único, que as pessoas tem esse costume de duvidar de si, de sua própria capacidade e com isso ir no mais fácil, no que deu certo pra fulano e pra ciclano, e não o que lhe enchem os olhos, não na escolha que lhe fariam mais felizes, independente de dar certo ou não. Percebi que a maioria dos seres humanos se auto sabota desde pequeno.

E por isso me senti no dever de compartilhar aqui o que aprendi a me perguntar a cada sessão de análise, não é fácil lidar com depressão. A sensação de fracasso quando nos esforçamos para fazer algo simples pra uns e pra nós da errado é horrível. É frustrante vermos que não conseguimos coisas que aos olhos da maioria é fácil, simples e não entendem por que pra nós pesa tanto.
Me pergunto a cada sessão, o que você escolheu pra você te faz feliz? E se não faz é por que você ouviu que esse tipo de coisa não trás felicidade ou não te faz feliz por que não é tua escolha? O que você faz pra ser feliz? Você consegue reconhecer a felicidade nas tuas coisas, na tua vida? Consegue ver que felicidade é algo simples?

Não é fácil, você não vai se dar conta se é ou não feliz de uma noite pro dia, você não vai aprender a ver e fazer as coisas de outra forma da noite pro dia, acredite eu aprendo a cada dia, dia após dia e ainda sinto que não aprendi nada. Por que nós temos a cultura de esperar uma felicidade utópica, magnifica e plena  e deixamos de ver que ser feliz é questão de ser e podemos ser sim com pequenas coisas, gestos, situações. E essa cultura que nos foi imposta de que ser feliz e bem sucedido e ser assim ou ser assado caso contrário você é um fracassado, nos cega para o óbvio. Não é fácil, mas diante de toda essa reflexão que as vezes me perco de uma certeza eu tenho, não pretendo desistir, do que muito menos de quem eu sei que me faz feliz! E você?

O acaso ou o desejo aproxima.

Um dia comum, aquela correria rotineira da minha vida, montanhas de coisas pra fazer com prazos pra entregar, sai do trabalho exausto desejando apenas um banho, uma boa xícara de chá ou um café fresquinho e minha cama. Não esperava  encontra-la, já fazia um bom tempo que não nos víamos, que não sabíamos um do outro, foi estranho dar de cara com ela na rua do meu condomínio.


Nos comprimentos e conversamos um pouco em frente a entrada do condomínio e sabe aquelas pessoas que você tem a sensação de que conhece a anos, que mesmo que fiquem tempos sem se falar quando se encontram é como se não tivessem se afastado um dia sequer? Assim era com ela. A conversa fluía, seguia livre sobre diversos assuntos sem nem sentirmos o tempo passar.

O que era comum também entre nós era uma atração mutua, uma vontade gigante de estar junto todas as vezes que nos aproximávamos. Não era amor, não era a carência de um romance, era carnal, era desejo, tesão. E quase nunca conseguíamos disfarçar nossas vontades perto um do outro, antes mesmo da boca dizer, os olhos entregavam na forma de olhar, o corpo pedia cada vez se aproximando mais.

Como das outras vezes não fugimos disso, apos algum tempo de conversa os beijos  e amaços começaram ali mesmo, encostados na parede de frente a entrada do prédio. E com o desejo cada vez mais a flor da pele decidimos subir pro meu apartamento e adentramos pela porta já nos despindo numa sede tremenda de nos termos.

A arrastei para o banho comigo,  e beijava teu corpo enquanto sentia a água descer sobre sua pele arrepiada, ficamos ali por longos minutos, nos sentindo, nos beijando até que decidimos mudar de lugar. Sentei na beirada da cama com ela em pé de frente pra mim, e sentia suas mãos acariciando meus cabelos enquanto chupava seus seios levemente rígidos de tesão.

Deitei-a sob o lençol branco que cobria a cama, a imagem dela nua ali era linda de admirar, fui beijando, acariciando e cheirando suas pernas até chegar em sua virilha, e ali entre suas pernas permaneci um longo tempo te ouvindo gemer e se contorcer enquanto minha língua brincava.  Voltei a sentar-me na beirada da cama e a trouxe para meu colo, de frente pra mim, me olhando nos olhos subindo e descendo sentindo o encaixe e deixando cada centímetro dentro de ti.

E assim viramos a noite saciando cada desejo e vontade, nos entregando ao tesão que falava mais alto sempre que chegávamos perto demais. Não sabíamos o por que disso, muito menos quando e se nos veríamos de novo, mas pouco importava. Estávamos ali, sendo naquele momento um só e sabíamos que por mais que a rotina nos afastasse, por mais que não fosse amor. 

O desejo, o acaso sempre nos traria pra perto e sem pensar em mais nada nos entregaríamos de novo ao tesão que nasce quando estamos perto e pertenceríamos sem medos.