Saber ser e ter um alicerce.

Já ouviram a frase que diz "Nada se sustenta sem um alicerce"? Pois é, e acredito que isso não se trata só de prédios e construções magníficas. Acho que vai muito alem de arquitetura, a questão é o ser!


A base de uma criação e educação é importantíssima na vida de uma pessoa, embora a índole e caráter influencie bastante uma pessoa que não tenha uma base sólida tende a vez ou outra ruir ou balançar.

O que eu encaro como base ou alicerce na minha vida é minha família e algumas pouquíssimas pessoas, sei que se não fosse por eles muita coisas talvez estivesse diferente e pra pior. Talvez muita coisa já tivesse ruido ou desabado de vez.

Sabe aquela mãozinha que te segura quando você está prestes a cair? Sabe aquele colo que você sabe que sempre tem pra chorar quando as coisas andam pesadas? Esses são alicerces, bases, portos ou âncoras como queiram chamar, é tudo que te mantem firme. Podem ser familiares, pode ser um(a) amigo(a) especial, pode ser um amor mas a gente sempre sabe quem é, e quem tem sabe que são essenciais.

Há quem diga que a gente não precisa de ninguém, e eu já acredito que ninguém é tão alguém que não precise de ninguém. Eu não digo que uma pessoa sem ter alguém pra ser sua base é alguém que não se firmará nunca, não é isso. Mas ter a humildade de entender que o outro pode te ajudar é alimentar a empatia e entender que talvez você também possa ajudar alguém.
Não é preciso absorver os problemas alheios e se deixar consumir pela vida do outro. Não é preciso ser dependente de quem te oferece a mão é apenas saber a hora certa de pegar a mão e estender a mão. E entender que esse gesto pode significar bem mais que qualquer boa ação.

Ser o porto de alguém, a base é saber a importância que é ter pra onde correr. É importante que saibamos que todo bom marinheiro por mais que enfrente de forma louvável o mar bravo também sabe a importância de um cais. Que todo arranha céu resistente a fortes chuvas e ventanias tem seu alicerce.

É importante apontar pra fé e remar, mas mais importante ainda é saber que tem pra onde voltar.


                                                     Desafio Interative-se

O Fabuloso caso de Isabella M.Basso

"Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar, dizer que aprendi. E na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri."

Uma certa vez me perguntaram como eu me sentia tendo três mães, confesso que me sinto o cara mais amado, protegido e abençoado do mundo embora a vida tenha me pregado algumas peças e rasteiras que insistam em me mostrar o contrário. Mas por que? Vocês já viram como é o olhar de uma mãe? Como uma mãe tem super poderes e mutações incríveis como se não fossem desse mundo? Imagina todo esse amor imensurável, essa super proteção, essa resilência, esse carinho e empatia que em mães já são completamente  em níveis absurdamente maiores por seus filhos, multiplicado por três. Eu só tenho a agradecer.

Com uma delas, a que me gerou, planejou, desejou e me trouxe ao mundo eu passei 10 anos da minha vida, e hoje é sobre ela que eu venho falar. Isabella as vezes Isa mas muitas vezes bela foi a mulher que mais me ensinou sobre resiliência sobre "ser feliz". Foi a pessoa que me fez aprender que felicidade é só uma questão de ser e que o que esta a sua volta não pode nem deve interferir em como você se sente.


Eu me lembro muito dos dias com ela embora fosse bem novinho na época. Sou filho único mas nunca me senti uma criança sozinha, me lembro nas inúmeras brincadeiras que ela inventava pra brincarmos juntos no quintal ou até mesmo no chão frio da sala de casa. Vi naquela sala aquela mulher muitas vezes ser pirata, ser dragão, vi ela virar fada e ser princesa mas até hoje ela é minha rainha.

Aos meus 5 anos ela em um desejo absurdo de ser mãe novamente descobriu a leucemia, não encarava a doença como uma interrupção de um sonho mas sim como mais um obstaculo que ela teria que vencer.  Vi aquela mulher apesar das debilidades e das limitações que a quimioterapia causavam não deixar um dia se quer de sorrir. E não, não era um sorriso forçado ou aquele sorriso mascarando a dor que só quem não a conhecesse acreditaria. Ela realmente, sorria! Ah aquele sorriso leve era e é bálsamo pra minha alma,  leve,  envolvente,  como posso dizer?! Fabuloso! Por que era mesmo como uma fábula, um conto de fadas, algo inexplicável e surreal. Era o farol pra um mundo só dela, o mundo onde era ela a rainha e sua delicadeza e leveza só mostravam o quão forte ela era.

E pude ver sua vaidade ser afetada ao longo das químios intermináveis, a queda de cabelo a falta da sobrancelha a tornear o rosto. Mas eu nunca a vi deixar de sorrir. Eram todas as manhas um ritual, diante do espelho ela se olhava como se visse a mulher mais linda do mundo, sorria, escolhia uma roupa que a fizesse se sentir bem e um lenço. Ora usava como um turbante, ora como um rabo de cavalo em forma de lenço, ora me enroscava neles pra não me deixar escapar de seus beijos.  Mas o acessórios mais bonito sempre foi o seu sorriso.

Isabella fabulosamente foi Feliz, mesmo vendo seus sonhos irem ao chão, mesmo vendo a batalha que estava por vir, mesmo sabendo dos riscos que corria, ela sorria. Inexplicavelmente ela sorria e hoje eu não sei como é não lembrar dessa mulher ou não pensar em tudo que aprendi sem sorrir.

Embora muitos pensem que o caso é triste, eu acredito que triste é não entender o que esse caso diz. Que embora o mundo seja um lugar sombrio algumas vezes, embora tudo pareça tão pesado em outras, você escolhe pelo que sofre e pelo que ri. E não tem melhor escudo ou lanterna nesse mundo, que um sorriso.