[642]O que as pessoas não entendem.

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Eu sei que não sou uma pessoa fácil de entender. Me interpretar é uma tarefa árdua até pra quem me conhece a anos. Costumo falar mais nas entrelinhas do que abertamente sobre o que sinto.

Na maioria dos meus dias acordo de bom humor, mas minha cabeça não para um segundo e as vezes mudo assim, entre um pensamento e outro. As vezes gosto da minha solidão, gosto de ficar quieto no meu canto, relendo meus textos, revendo fotos, relembrando coisas, pensando. As vezes minha solidão dói, me sinto sozinho, sinto falta de alguém que me ouça sem que eu muito precise falar.


Mas tudo bem, eu sei, é difícil entender, sou tão sentimental como uma criança me magoo fácil com palavras e atitudes, as vezes sou água cristalina, as vezes meu rio é turvo e não consigo demonstrar o que se passa aqui dentro. Nem todo mundo que se aproxima consegue entender ou respeitar minha confusão é chata e pesada, eu sei.

Mas eu entendo também, e eu sei que posso ser leve, que posso ser carinhoso, que sei ser amigo, o que as pessoas não entendem é que pra isso leva tempo e se não estiver com tempo pra esperar não vai mesmo conseguir me entender. Um dia ouvi de meu patrão que ou as pessoas me amam muito ou as pessoas me odeiam demais, assim, oito ou oitenta ao extremo e mesmo as que amam sentem uma vez ou outra vontade de me dar um servido soco na cara. Talvez por que meu lado implicante, chato e sistemático seja muito mais visível. Assim como uma poça d'água que de fora as vezes parece pequena e rasa mas ao pisar te cobre de água até os joelhos.

Por mais que as vezes pareça que eu não me importo, eu me importo. Eu costumo observar detalhes  e um "oi" diferente já me  faz perceber um mundo de coisas. Por mais que eu pouco fale, eu penso demais, apenas não sei por pra fora tudo o que todo esses pensamentos que me invadem ao longo do dia dizem. E é com eles que perco inúmeras horas de sono a noite. Talvez eu tenha mesmo algo de diferente de todo mundo, mas confesso que ainda não descobri o que possa ser, me sinto normal, comum.

Tão comum e tão igual a qualquer um, embora a timidez mil vezes me faça me sentir um E.T. Sim eu sou tímido sim, Mas isso já é outra coisa que as pessoas não conseguem entender.


[642] Acordei em outro lugar...

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Eu acordei não sei ao certo se de um sonho ruim ou de um apagão temporário. Teus olhos fitando os meus foi a primeira imagem que vi. Não estava entendendo ao certo o que estava acontecendo, me lembrava de ter sentido uma leve tontura, sentido minha vida balançar por um instante e mais nada e agora estava ali diante de você.

Você sorriu parecia entender minha confusão, parecia que meu jeito meio perdido não te assustava, muito menos te afastava. Me acolhia, me recebia em teus braços, em tua vida.
Quando dei por mim já havia me perdido em seus olhos, enquanto você sorria procurando saber mais do cara portador de tanta confusão. Como um anjo ali, parada com sua vida diante da minha pensei, se era sorte a minha, se de fato merecia ou era sonho talvez.  Eu que nunca fui muito de correr riscos, me arrisquei saber mais sobre aqueles braços que me acolhiam. Por que assim me sentia, como se me pegasse no colo, me trouxeste a segurança que a algum tempo não sentia.

A cada fato teu que deixavas transparecer permitindo-me lhe conhecer mais, mais eu sentia tua loucura parecida com a minha e menos queria soltar tuas mãos. Mãos essas pequenas, branquinhas e suaves mas que transmitiam uma força enorme, admirável, cativante. Foste meu anjo e naquele momento me salvaste.
Quando dei por mim já estava entregue a você como nunca senti igual, mal senti as horas passarem enquanto conversávamos "coisas sobre céu, a terra, a água e o ar". Me acalmaste, fizeste com que eu não me lembrasse de nada antes daquele momento e nem dos problemas que me acompanhavam. Posso me arriscar a dizer que se um mês passasse eu nem iria perceber, perdi a noção das horas, perco a noção do tempo enquanto olho pra você.

Não sei explicar ao certo o que acontece comigo, pareço estar em outro mundo, um mondo só meu e seu, um lugar desconhecido. É fato, acordei em outro lugar naquele momento, longe de tudo que eu já havia visto e vivido, mas não me importo e já não sinto medo se tenho você comigo. 

Foste meu anjo e naquele momento em que eu me perdia de mim mesmo,  me salvaste.

[642] E assim tudo começou.

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A você que me lê peço que entenda , talvez essa historia ainda não tenha fim ou talvez tenha um não tão bom assim, mas lhe garanto entre encontros e desencontros e destinos traçados,  houve olhos nos olhos, houve mãos dadas, houve amor.

Quando tudo aconteceu, creio eu que ambos mau sabiam o quanto tudo ia significar, nem quão grande iria ser a proporção de tudo. Foi tudo assim meio que ao acaso, num fim de tarde, um esbarrão mais forte fez com que um notasse o outro, coisa que não havia acontecido em meses de convivência, mau se falavam, mau se olhavam e dali em diante tudo mudou.

O olhar daquela moça diretamente nos seus olhos intrigou e enfeitiçou aquele rapaz. Ele sabia que havia se perdido naquele momento e viajado então a um mundo sem volta dentro daqueles olhos castanhos. Ela com seu jeito desajeitado, sorriu desconcertada desculpando-se pelo encontro inesperado de corpos, havia sido mais que isso, havia sido um encontro de almas, que talvez se buscassem a muito tempo.

Após esse encontro que deveras mexeu muito com ambos, um não conseguia deixar de pensar no outro, de lembrar dos pequenos detalhes mesmo que tão breves daquele momento. Pensavam por alguns momentos por que não haviam se visto antes ou conversado talvez. O fato é que se viram, se cumprimentaram, em meio a correria do dia a dia e não se notaram. Aquele encontro havia mudado o rumo das coisas, o destino, havia mudado tudo.

Ela seguiu ao longo dos dias a imaginar se veria novamente aquele rapaz de cabelos bagunçados, ele passou os dias a buscar por onde andariam aqueles olhos castanhos. Tudo parecia tão incerto, ambos pareciam tão distantes, parecia tão difícil a chance de se esbarrarem novamente.
E então aconteceu... 

Ao virar a esquina daquele corredor  mais uma vez se encontraram, assim quase que no susto, quase de novo trombando um corpo no outro. - Você! Ambos disseram...E as almas de novo se encontraram, e os caminhos transformaram-se em um só e ali começou toda a historia.

- [642] 86- Escreva uma carta para um leitor de um romance ainda não escrito -

[642] - 104 - O que você sente sobre o amor ultimamente.

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Ah o amor, eu sempre gostei de amar, de estar amando, de me sentir amado. Embora tenha errado algumas vezes ao longo desse meus 20 anos eu não acredito que haja forma certa de amar.
Confesso que inúmeras vezes questionei e julguei amores que recebi, por não ser exatamente o que eu esperava, hoje reconheço que errei muito, em querer que outra pessoa me ame exatamente igual a mim.  

Por mais que hoje em dia o amor seja algo deixado de lado por simples julgamentos eu ainda acredito que o amor é resposta pra muita coisa. Não acho justo, alias nunca achei correto culparmos um sentimento por falhas humanas. Se um alguém não soube reconhecer teu amor, não soube lhe amar como você esperava, não soube ser para ti o que foste para ele o amor não tem culpa. Ele esteve ali, fazendo o seu papel, esperando ser regado e cultivado e se não floresceu, se não cresceu não foi culpa dele.


Ainda acredito na possibilidade de amores eternos, amores esses que superam todas e quaisquer dificuldades, que permanecem acesos mesmo apos 10, 20, 50 anos de união. Ainda o vejo como o mesmo sentimento puro e verdadeiro, balsamo para todos os males. Mesmo vendo na internet, nas atitudes de alguns, que transformaram amor em barganha, em algo pequeno e sem valor.Mesmo vendo que pra alguns amor que não envolve o físico, o material, não é amor. 

Talvez eu seja sim um clichê ambulante, um cara ridículo, desses bobos que quando se apaixonam andam em nuvens. Talvez haja quem acredite em mim, e na minha forma de amar, assim como também há quem duvide e reprove. Tudo bem, não faz mal, hoje eu ainda vejo e sinto que amor é uma das melhores coisas a se oferecer e a receber.

Não vou ser hipócrita de dizer que tal sentimento nunca me trouxe dor e sofrimento. Sim, mas repito a dor e sofrimento não é ocasionada por amar e sim pela falta de amor de outrem, ou falta de cuidado, ou até mesmo por não saber lidar com o sentimento de alguém. Mesmo que me julguem, mesmo que me condenem e gritem aos quatro cantos do mundo  - "Esse cara é louco!" Eu vou amar, uma, duas, três, quatro, mil vezes até quando me for permitido. Amo sim, minha família, alguns poucos amigos, nossos bichinhos de estimação. E se Deus permitir, e se eu for digno de tal sentimento amarei sim de maneira unica, por 10,20, 50 anos a mesma mulher. 

Por que eu não tenho medo de amar, meu maior medo é não viver com amor.

[642] 210 - Eu não me arrependo.

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Estava no meu quarto tentando fixar o pensamento nos estudos, sem sucesso acabei de novo pensando em nós...Desde o primeiro momento que te vi eu tive certeza de que era você. Mesmo que não fosse por toda a vida eu sabia que tinha me roubado de mim naquele momento, tinha me levado pra junto de ti com aquele sorriso inesquecível.

Todos os dias que passei ao seu lado, todas os risos, as brincadeiras, todos os momentos de luta juntos valeram a pena. Amar tem dessas coisas, de confiar cegamente, de se entregar 100%, de mergulhar num abismo sem medo algum. E eu mergulhei, mergulhei com você e em você, apostei todas as minhas fichas em nós, mas eu nunca tive sorte no jogo, que dirá no amor. Não digo que errei, não digo que há culpa em mim ou em você, muito menos digo que não deu certo.

Deu muito certo, enquanto era pra durar, enquanto tinha que ser, enquanto ainda podíamos amar, deu muito certo. Mas assim como disse o poeta "Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim"...Ela quis e conseguiu levar você de mim. Não, não são dos erros, dos desentendimentos, das magoas que eu vou me lembrar. Eu levo comigo a certeza que ambos tentamos o impossível pra se amar.


Por isso eu digo hoje que mais do que nunca eu não me arrependo e nunca vou me arrepender de amar. Não me arrependo das horas e horas de conversa segurando o sono pra ficar mais um pouquinho. Não me arrependo da angustia que sentia quando passava o dia sem nenhuma noticia e você dizia com tranquilidade, "Calma eu só fiquei sem bateria".
Não me arrependo das crises de ciume, das vezes que ri sozinho com isso, e das que chorei também. Não me arrependo mesmo com o fim, mesmo que hoje tudo isso tenha acabado eu amei, e sim eu fui amado.

Eu aprendi desde de pequeno que amor não é prisão, e é em nome desse amor que existiu que enfim soltamos nossas mãos. E mesmo que mil vezes tenhamos planejados nossos caminhos juntos, hoje é claro que nossos caminhos são opostos. Eu sei que não é fácil e doeu não ver de fato todo aquele sonho acontecer, mas não, não foi em vão, não foi perda de tempo, eu não me arrependo.

Por isso meu amor não tenha medo de sofrer, siga seu caminho, busque teus sonhos,  sua felicidade, vá viver. A vida se encarrega de trilhar nossos caminhos e por tudo já vivido e por nós dois sentido sei que nada foi perdido. Você tem morada em mim, e o que eu te desejo sempre é o melhor. E eu já não sou o melhor pra você, juntos já não somos os melhores, adiamos tanto esse fim mas chegou a hora e você foi sem mim. 

Quando você se despediu, eu demorei mesmo a entender as coisas, o por que daquilo tudo estar acontecendo, desse rumo ter sido tão diferente do planejado. Mas era o certo, e você tinha razão, e você sempre foi mais pé no chão e sensata do que eu. E lembrando de tudo eu me despeço hoje dessa historia, sem me arrepender de nada e não por falta de amor. Esse amor é seu, esse amor é nosso e independente de rumos opostos, de vidas distantes ou não, independente do fim. Eu sei e você sabe mas a vida quis assim...Eu fiz parte da tua historia e você viveu em mim.

[642] 255- "Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento".

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Tudo parecia não fazer sentido, passei a revirar memorias, fuçar antigos emails, mensagens, fotos, nada fazia sentido.
Onde foi parar tudo aquilo? Todas aquelas palavras de carinho e juras trocadas, onde estavam as promessas feitas? Já não existiam mais. Já não se via mais palavras bonitas vindas de lá, ou daqui, na verdade já não havia mais palavra alguma, só o silencio naquele quarto.
O sentimento preso de maneira angustiante dentro do peito ainda existia, como seriam os próximos dias, pra onde eu iria, o que faria?

Mil perguntas invadiam minha cabeça como se tivessem ânsia por respostas imediatas, e eu não podia se quer reagir. Sentia-me paralisado como se de fato naquele instante meu mundo tivesse parado. Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento, ou talvez até soubesse mas não queria acreditar, não pode ser verdade, você tinha uma vida inteira pela frente. Eu só queria esperar ali tudo aquilo passar, mas não podia, não ia passar e eu tinha que seguir.

Como seguir se todos os planos foram feitos juntos, aquele orçamento da reforma da casa ainda estava no criado mudo, as contas rabiscadas na caderneta aquele dia em que planejávamos nossas ferias ainda estavam na gaveta. As mil alternativas de nome para o gatinho que pretendíamos adotar estavam anotadas no porta recados da geladeira. Eu não entendia porque tivera que ir, por que havia me deixado ali se por vezes me dissera que não imaginava outro pai pra nossos filhos, outro casal no nosso porta retrato. Por que tivera que ir?

Eu questionava a ti, a mim, a Deus, eu questionara tudo e todos que pudessem ser culpados por aquilo, por que haviam te tirado de mim, o que eu havia feito de tão errado pra merecer tal situação. Dias se passam e minha dor não se vai, eu sentia que metade de mim havia se perdido pra sempre, e talvez fosse a metade mais bonita de mim. Sentia -me como um robô, frio, sem sentimento algum e com os movimentos automáticos, já não havia mais vida alguma naquela casa.

A campainha rompe o silencio que a dias habita essa casa que tanto alegria tinha, era o carteiro. Uma encomenda em meu nome, uma caixa grande, estranho eu não havia comprado nada recentemente. Pra minha surpresa a caixa vem em teu nome, ao abrir me deparo com dois olhinhos esverdeados e assustados de felino me olhando, e um bilhete. Era tua letra, eu reconheci a maneira como "desenhava" o M ao escrever meu amor. 


"Meu amor, sei que ainda não decidimos o nome, mas talvez olhando a carinha dele seja mais fácil. Com amor ...Sua." 

Ler aquelas palavras foi como sentir você novamente ali, olhar para aquela caixa me fez reviver nossos sonhos. E eu tinha que viver, foi como sentir novamente suas mãos em meu rosto quando me dizia que eu não podia desanimar. Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento, mas eu sabia que era você mais uma vez não me deixando desabar e que era por você que eu tinha que continuar.

[642] - 202 Qual o som do seu silencio?

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Me deito na cama olhando para o teto do quarto, como sempre estou sozinho. Você consegue ouvir?! É realmente enlouquecedor o barulho que minha mente faz enquanto meus lábios fazem silêncio.


Minha mente não para, invade o silêncio do quarto, do apartamento, invade o meu silêncio. Por que?! Há tantos porquês invadindo minha mente, me enchendo de duvidas e incertezas sobre a vida, meus passos, minhas escolhas.

E o medo, o medo que ecoa aqui dentro é ensurdecedor, medo do vazio, medo da perda, medo se estar sozinho? Não, medo da solidão.
Suspiro...E o som da minha respiração parece pesar em meio aquele silêncio, suspiro de alívio? Ou seria de peso? O peso de angustias que apertam meu peito me fazem lembrar das dores ainda recentes. Lembrar, lembrar daquelas palavras cruéis é inevitável.

Pronto, já não há mais silencio que dure com essas palavras flutuando em minha mente, tão duras, tão pesadas e reais. Palavras são armas, as mais cruéis e sempre rompem meus silêncios, minha mente grita...Se lembre, não esqueça!

Minha mente grita, o pensamento ecoa, o medo existe, a angustia aperta, mas  por que? ...E eu suspiro, no fogo a chaleira apita...A água ferveu. E em minha mente agora só um pensamento.. É hora de levantar.

[642] 130- Perdendo a sua memória...

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E foi assim, como um piscar de olhos ele se viu cair e depois já não viu mais nada, já não se via em mais nada.

Foi depois de uma crise daquelas mais fortes que perdeu a consciência, perdeu o rumo de si, se perdeu. Quando acordou já não era mais ele, ou talvez havia voltado a ser um alguém que nem lembrava mais.

Se viu ali naquele quarto de hospital cercado de rostos conhecidos com expressões estranhas. Parecia que sabiam de algo e ele não, e sabiam.
O médico se aproxima e lhe conta daquele subito apagão e o que parecia não ser nada era tudo, o fim ou o começo de tudo. Teu cérebro apagou algumas coisas lhe disse o medico, teu pico de estresse traumático foi tão grande que teu corpo te protegeu. 
Que coisas? Pensara ele, de que coisas afinal não lembro e até quando não lembrarei? Suas dúvidas são logo respondidas, sua perda de memória é temporária mas será dolorida.


A partir daquele momento ele sentiu antigas dores novamente, sentiu a perda da avó que fora embora a quase dois meses pela segunda vez  e como doeu...Chorar, gritar não parecia ser o sufiente era dificil acreditar ser verdade, que a mulher por quem ele morreria havia partido e ele nem se quer se lembrava de ter se despedido.

Teve novos recomeços e ouviu antigas historias como novas outra vez. Ele reconhecia pessoas mas não tinha certeza se havia algo sobre elas que ele havia esquecido, algo que deveria saber e talvez não soubesse mais. Sentia a proximidade de algumas pessoas, a cumplicidade com outras mas ainda não entendia o por quê. 

Se apegou novamente a pessoas que já haviam se afastado e então sofreu novamente ao saber o por quê do afastamento ao vê-las se afastando outra vez. Reviveu amores e alegrias de maneira nova e única, como se a vida lhe tivesse dado uma segunda chance.

Aos poucos foi se lembrando daquela noite que resultou em tudo, foi lembrando dos acontecimentos, das histórias, das importância de determinadas coisas e pessoas em sua vida. Realmente havia sido temporário, uma temporária perda de tudo ou uma chance de renascimento.
Os dias foram passando como se nada tivesse acontecido, memória quase restabelecida por completa. As pessoas já nem se lembravam mais do ocorrido e ele já nem se dava mais conta do que lembrava ou não, exceto de detalhes desses ele não lembra não. 

Essa dúvida só o assombra em conversas quando alguém muito próximo termina alguma  frase  com "você não se lembra?".
Talvez...Talvez ele não se lembre ou talvez ele nem tenha vivido. Talvez ele tenha vivido mas não queira se lembrar... Talvez...
Será que não lembro ou não vivi? Essa dúvida sempre vai me acompanhar.