Paixão ao primeiro sorriso

Sabe aqueles dias que você esta com a cabeça nas nuvens? Pensando em mil coisas que ainda tem que resolver? E esta andando na rua com um colega mas quase não presta atenção no que ele diz? Teu pensamento voa longe, tentando buscar um lugar de sossego longe daquele caos. Foi  em um dia como esses que eu o vi pela primeira vez.


Foi assim em um esbarrão, meio que por acaso naquele tipo de trombada que a gente da sem querer por que  não esta de fato atento ao caminho, um susto do baque interrompe os pensamentos e mais que depressa me desculpo, ali estava ele iluminado, radiante, de uma leveza sem igual, irresistivelmente convidativo... Ah aquele sorriso, que não disse nada só seguiu seu curso.

Passei o dia com aquela cena na mente, com aquele​ sorriso pairando em meus pensamentos e com a sensação de inutilidade pesando nos ombros. Por que não a parei? Ela podia ter se machucado! Mas aquele sorriso hipnotizador não me deixou pensar em mais nada, eu me perdi naquela curva.

Já não via possibilidades de esbarrar naquele sorriso outra vez. Havia voltado a minha rotina de andar pelas ruas com os pensamentos bem longe dali, entrei no café fugindo da chuva que mais uma vez me pegou de surpresa no caminho e lá estava ele. Tão radiante quanto da primeira vez que o vi, me inebria, entontece, quase não disfarço a fascinação que me provoca.

Dessa vez o contato é inevitável, caminho em direção a ele, e arrisco-me a dizer que nem piscava, me aproximo e fico frente a frente a ele. Eu já mencionei o quanto ele é convidativo? Volto minha atenção pra situação e prossigo. - Um café amargo por favor!

Peguei meu café, paguei e sai. Não conseguia deixar de olhar pra trás enquanto me dirigia a porta pra me embriagar cada vez mais do êxtase que aquele teu sozinho me causava. Ah moça, fui embora com meu café preferido nas mãos, com seu sorriso na mente e com a certeza de que voltaria ali muitas vezes.

- Texto inspirado também no poema de Pablo Neruda, O teu riso.-

Na janela

O tempo muda e muda também a paisagem lá fora e ainda sigo a observar da janela, na esperança, na espera de te ver passar. Vais seguindo tua vida, buscando teu rumo, quem sabe nem saiba que eu penso em ti. Nem saiba dos planos, das horas que conto enquanto espero por você aqui. Me arrisco a dizer que não há outra vida que encaixe melhor na minha, as turbulências, os medos, as cicatrizes são todas vindas quase todas de um mesmo lugar. Me pergunto de onde foi que vieste, tão cheia de si e dona de mim.

Te ofereço meus braço menina, moça, mulher. Te ofereço meu abraço, minha proteção. Sei que talvez tua coragem seja maior que a minha, mas sabes que mesmo em meio as ventanias, na escuridão, ainda estarei contigo, sempre segurando tua mão. Eu sei, a vida da rasteiras as vezes, os problemas parecem nos engolir dia a dia, mas me questiono quando olho pra ti se com esse riso de criança consegues sentir o peso da vida ou é a vida que obedece a ti.

Te apresse ou eu vou te buscar, o frio é contra mas a gente se esquenta no peito um do outro, nas taças de vinho. Sentir tua pele se arrepiar sob minhas mãos enquanto te acarinho o corpo e te aqueço a alma de baixo do edredom. Encaixa teu corpo no meu ate parecermos um só, fique, sem pressa, sem medo até o sol atrasou sua vinda, pra que o frio lá fora nos inspire um ao outro se amar e aquecer. 

Muda o tempo, mudam os dias, mas ainda sigo na janela a observar, esperar e sonhar.


O perigo sempre foi mais atraente.

Loucos, seria pouco pra nós. É um desejo insaciável e incontrolável de te ter não importa a hora ou lugar. Toda vez que nos esbarramos, seja numa festa, reunião de amigos, corredor da empresa ou faculdade, na rua. É impossível não nos olharmos com olhar de pedinte, quase que implorando pelo beijo um do outro.

É um encaixe perfeito toda vez que meu corpo cola no teu, o calor do teu corpo  esquenta o meu e vice versa como se fossemos um só.  Não podia ser diferente dessa vez, encontro você na saída do laboratório da faculdade, aquele corredor escuro e vazio me pareceu o lugar perfeito pra não te deixar fugir de mim.


Nossos olhares se cruzam quase como que declarando nitidamente a vontade que sentimos de nos ter de novo, e eu puxo teu corpo contra ao meu sentindo em você o mesmo calor e tremor de desejo que corre em mim.

Puxo devagar seu cabelo, inclinando um pouco sua cabeça pra trás e beijo seu pescoço e orelha sentindo seu cheiro, como se fosse enfeitiçado pelo melhor perfume que existe. Sinto sua pele se arrepiar e suas unhas cravarem em minha costas e cintura numa reação nítida de tesão a flor da pele.

Desço uma das minhas mãos até seu quadril pressionando ainda mais teu corpo contra ao meu te erguendo um pouco contra a parede, e você sorri sussurrando um "você não tem jeito" em meu ouvido.

Aproximo minha boca da sua sentindo o calor de sua respiração ofegante, sem deixar de te olhar fixamente nos olhos como se concordasse com teu sussurro, você sobe uma das mãos até minha nuca como se já esperasse ser beijada. Olho pra tua boca te apertando contra mim e a parede, e ao tocar minha boca na sua, um barulho,  uma porta a direita se abre, vem alguém.

Antes que fôssemos pegos nos afastamos, não foi dessa vez, não era a hora, nos olhamos enquanto nos afastamos como se disséssemos um para o outro, um até breve, um até o próximo corredor.

E haveriam mesmo outras chances ou nós mesmos providenciaríamos ocasiões, você sabe, eu sei o perigo sempre foi mais atraente.

[642] Acordei em outro lugar...

642

Eu acordei não sei ao certo se de um sonho ruim ou de um apagão temporário. Teus olhos fitando os meus foi a primeira imagem que vi. Não estava entendendo ao certo o que estava acontecendo, me lembrava de ter sentido uma leve tontura, sentido minha vida balançar por um instante e mais nada e agora estava ali diante de você.

Você sorriu parecia entender minha confusão, parecia que meu jeito meio perdido não te assustava, muito menos te afastava. Me acolhia, me recebia em teus braços, em tua vida.
Quando dei por mim já havia me perdido em seus olhos, enquanto você sorria procurando saber mais do cara portador de tanta confusão. Como um anjo ali, parada com sua vida diante da minha pensei, se era sorte a minha, se de fato merecia ou era sonho talvez.  Eu que nunca fui muito de correr riscos, me arrisquei saber mais sobre aqueles braços que me acolhiam. Por que assim me sentia, como se me pegasse no colo, me trouxeste a segurança que a algum tempo não sentia.

A cada fato teu que deixavas transparecer permitindo-me lhe conhecer mais, mais eu sentia tua loucura parecida com a minha e menos queria soltar tuas mãos. Mãos essas pequenas, branquinhas e suaves mas que transmitiam uma força enorme, admirável, cativante. Foste meu anjo e naquele momento me salvaste.
Quando dei por mim já estava entregue a você como nunca senti igual, mal senti as horas passarem enquanto conversávamos "coisas sobre céu, a terra, a água e o ar". Me acalmaste, fizeste com que eu não me lembrasse de nada antes daquele momento e nem dos problemas que me acompanhavam. Posso me arriscar a dizer que se um mês passasse eu nem iria perceber, perdi a noção das horas, perco a noção do tempo enquanto olho pra você.

Não sei explicar ao certo o que acontece comigo, pareço estar em outro mundo, um mondo só meu e seu, um lugar desconhecido. É fato, acordei em outro lugar naquele momento, longe de tudo que eu já havia visto e vivido, mas não me importo e já não sinto medo se tenho você comigo. 

Foste meu anjo e naquele momento em que eu me perdia de mim mesmo,  me salvaste.

Você outra vez.

Olá povo, quem acompanha o blog sabe que estou escrevendo um conto em parceria com a Nathy do blog 48 janeiros. Esse é o segundo texto e esta sendo uma experiencia e um desafio prazeroso pra mim dar continuidade. Espero que gostem, pra quem quiser ler a primeira parte esta aqui.


Primeira parte | Thales Basso

Era mês de junho e se aproximava a festa junina tradicional da cidade. Em todo canto já se viam os enfeites e as pessoas não falavam de outra coisa. Lembro-me das vezes que íamos juntos e de como se deliciava desajeitada com seu morango com chocolate que eu fazia questão de comprar. Ela sorria, maravilhada com algo que, para mim, era tão simples. Era de lei em toda festa o passeio na roda gigante do velho parque, seu morango e meu algodão doce. Ah, como a vida era doce naquela época!
Embora essas festas tenham perdido a graça desde que ela se foi, nesse ano seria diferente. Visto uma calça jeans e uma camisa preta, apanho meu casaco e saio. Como todos os anos a festa está cheia, bandeirinhas coloridas enfeitam todo lugar, crianças correm para lá e para cá e se divertem em meio aos brinquedos. Avisto de longe o carrinho de algodão doce e sem pensar duas vezes me dirijo a ele.
- Um algodão doce, por favor - peço ao senhor que o faz rapidamente.
Ao me virar colocando um pedaço grande daquelas nuvens doces na boca, me deparo com ela, parada em frente à barraca de morangos.
E ela continua linda, como sempre. Está usando um vestido azul que, em contraste com seu all star surrado, me faz pensar que aquela menina que eu amei ainda existe ali. Não resisto e me aproximo. Precisava tentar ao menos um diálogo, saber como estava a minha menina e, mesmo com medo, mesmo sabendo do quão difícil foi nosso rompimento, eu vou.
- Que bom saber que morangos com chocolate ainda são os seus favoritos - eu a abordo.
Ela vira assustada e me olha diretamente nos olhos, desajeitada deixa escorrer chocolate no canto dos lábios, mas nada diz. Percebo que a surpresa em me ver é grande. Será que ela também pensou em mim? Ainda pensa em nós? Tantas coisas me passam pela cabeça naqueles poucos segundos...
- E é bom ver que ainda é desajeitada também, afinal, acho que não estamos tão diferentes assim - digo eu, quebrando o silêncio e limpando com as mãos o canto de sua boca.
Boca essa que me deu os melhores beijos. Como é bom sentir em minha mão de novo a sua pele! Como é bom sentir que você ainda é tão viva em mim.

Segunda parte | Nathalia Dutra

Mais uma vez ocorreria a típica festa junina da cidade. Uma noite por ano, nos reuníamos para dançar, cantar e comer em volta de uma fogueira, num parque cheio de brinquedos, bandeirinhas e barracas. Era algo bem divertido. As lembranças das minhas últimas festas antes da faculdade são todas ao lado dele. Essas e mais muitas lembranças fazem parte daquelas gostosas de pensar, mas que, com um choque de realidade, machucam como nenhuma outra.
Decidi ir sozinha, já que sabia que encontraria alguns amigos. E realmente encontrei. Toda a turma do ensino médio estava ali. Em meio a muitas conversas, risos e saudades, distancio-me por um momento em busca de morango com chocolate, meu doce favorito no mundo inteiro.
Assim que abocanho o primeiro morango, ouço uma voz por trás de minhas costas que, instantaneamente, causa um arrepio por todo o meu corpo.
- Que bom saber que morangos com chocolate ainda são os seus favoritos - diz ele, com aquele sorriso cafajeste no rosto.
Eu não consigo pensar em algo para dizer. Antes que eu perceba o chocolate escorrendo pelos meus lábios, ele, limpando meu rosto, diz:
- E é bom ver que ainda é desajeitada também, afinal, acho que não estamos tão diferentes assim.
Por alguns segundos, minha mente luta para processar o que está acontecendo. Respirando fundo, o cumprimento com um "boa noite" o mais simpático que sou capaz. Afinal, embora sua presença ali seja um tanto estranha para mim, as pessoas mudam em cinco anos. Tento encará-lo como um amigo antigo, nada mais do que isso.
- Boa noite, moça - responde. - Há quanto tempo não te vejo.
- Bastante - concordo. - Como vão as coisas?
- Tudo certo, graças a Deus. E você?
- Estou bem.
- E a faculdade?
- Foi boa também. Mas a melhor parte foi terminá-la.
Ele ri e eu mal acredito que consegui ser legal num momento como esse. Eu esperava que ele desistisse e voltasse a seu algodão doce.
- Aqui também foi bom. Bem pesado, mas foi bom.
- Engenharia?
- Isso.
- Que legal - comento. - Ah, se você me dá licença, eu deixei o pessoal me esperando.
- Ah, tudo bem - diz. - A gente podia ver um dia para conversamos.
Eu, subitamente, engasgo com um pedaço de morango. Tento disfarçar, mas ele está sério. Talvez já sabia qual seria minha reação.
- Conversarmos o quê? - pergunto, surpresa.
- Não sei... só conversarmos - diz, encarando algum ponto qualquer que não é os meus olhos.
- Eu não sei, Rafa.
- Por que, Gabi?
- Eu só não vejo motivo - desabafo, já cansada.
- É que... Bem, eu preciso esclarecer algumas coisas para você.
Eu fito aqueles olhos. Um turbilhão de sentimentos me afogam e começo a sentir a maré subindo pelos meus. Respiro fundo e tento não olhar mais diretamente a ele, mas algum ímã atrai os meus olhos, independente do quanto minha mente toque o alarme de perigo.
- Me desculpe, Rafa - digo, retirando-me. - Mas as coisas sempre estiveram claras para mim.
- Gabi! - grita, às minhas costas. Eu corro para longe, mas ele termina: - Te pego sexta às sete.
Finjo que não escuto mas, involuntariamente, sorrio. Continua sendo o mesmo Rafael.

Foram coisas simples.

Ele é amigo de um amigo meu. Por vezes, calhava nos encontrarmos no café. Eu dizia 'olá' e ele retribuía. 
Uma ou outra vez, sentava-se connosco, na mesma mesa. E começámos a cumprimentarmo-nos com dois beijos. 

Havia uma festa na cidade, ele também queria ir. Por um acaso, eu convidei-o para vir comigo de carro, ele aceitou.
Sim, foram mesmo coisas simples. 



Começámos a falar mais. Na passagem de ano, alinhámos numa brincadeira de chamar 'coração' e 'amor' um ao outro, de uma forma inocente, foi crescendo uma ligação.
Certo dia, em que fomos sair os dois, quando estávamos a ir para o carro, estava a chover e parámos debaixo da entrada de uma casa para nos abrigarmos, e os nossos corpos ficaram bem juntos...tímidos, virámos a cara para o lado, como se nada tivesse acontecido.

Todos os dias estávamos juntos. Criámos dentro de nós uma necessidade do outro. Falávamos o dia todo. E aos poucos fomos notando que já não sabíamos estar separados.

O primeiro beijo aconteceu numa brincadeira, e a brincar, continuamos felizes, ao lado um do outro.

Por Vanessa Pereira - Blog Alucinações da Alma.

Que seja claro, eu te declaro o meu amor.

Parece que foi ontem quando eu soube que você chegaria, eu vi medo e alegria apesar de todos os contras que a situação ressaltava. Eu vi uma menina ser mulher, da noite pro dia eu vi nascer uma mãe.



Quando você nasceu eu tinha doze anos de vida e dois anos de dor, de pesos de angustias, e foi a primeira vez que entendi que tudo aquilo era nada diante daqueles olhinhos castanhos. Pela primeira vez conheci um anjo, não só de nome mas de coração, de alma, de luz.

A cada dia na sua presença eu aprendia mais a ser melhor, que eu queria mais te cuidar, eu queria ser o teu porto. Eu fui o melhor de mim sempre. Eu aprendi a ser pai, amigo, primo, exemplo de alguém que não era meu fruto mas tinha tudo de mim. Eu descobri o verdadeiro sentido de tanto amor no seu primeiro resfriado forte, no desespero de sua mãe e no medo que eu senti.

Sua mãe além de minha prima sempre foi irmã e deu em minhas mãos o maior presente que eu podia receber, você. Era novo demais pra ser seu padrinho, mas te consagrei, recebi a missão de ser teu guia, mal sabiam todos que você é quem me conduz.



Já se passaram 7 anos, já não temos tantas brincadeiras como antes, você já não precisa de ajuda pra alcançar a mesa, pra comer, pra amarrar os cadarços. Ainda assim será sempre meu "Gaby steel" e eu teu "Pollito Extroyer". Serei pra ti qualquer coisa que precise, porto, paz, amigo, pai, primo, irmão, escada, banquinho, braços e até mesmo qualquer tipo de vilão, porque você sempre será o meu herói.

Meu anjo Gabriel, os anos vão passar cada vez mais, você infelizmente vai continuar a crescer e eu sempre vou estar aqui, te vendo, torcendo, protegendo, vivendo, matando e morrendo por você. Não tens só o meu sangue, você tem tudo de mim.