Mais um clichê.

14:54


Talvez seja mais uma historia clichê, talvez nela eu me encontre ou encontre você.

Fernando - Um cara sossegado, vivia no seu mundinho particular com fones de ouvido, livro nas mãos e uma mochila surrada nas costas.
Ana Beatriz - Uma patricinha metida, roupas de marca, cabelos na moda, unhas sempre perfeitas e um salto de 9 cm.
Oque eles tinham em comum? Nada. Até certa manhã de agosto.
Ele - Levanta como sempre faltando 15 min para o horário do ônibus, pula da cama, troca de roupa, escova os dentes e sai arrumando os cabelos com as mãos pela rua.
Ela – Acorda quase duas horas antes do horário da escola, toma banho, seca o cabelo, maquiagem, escolhe a roupa, o salto, toma café e sai linda pela rua.
Ele - Vai perder o ônibus (pra variar)… Corre, corre, corre vai dar tempo! Olha pra frente Fernando a meni… Ops!

Livros, cadernos, bolsa, celulares, tudo no chão…
– Você é louco?! Não olha pra frente idiota?!
- Calma, nossa me desculpa eu não te vi.
– Além de idiota é cego?
- É tem razão difícil não ver todo esse rosa rua.
- Está curtindo com minha cara?!
- Já te pedi desculpas garota… Agora me dá licença tenho mais o que fazer.

Recolheram as coisas do chão… Ela segue pra escola, não podia perder o primeiro horário e ele pro trabalho, já estava atrasado, ambos achando que seria mais um dia como todos os outros. Mal sabiam que as melhores historias começam assim… Por acaso. E mesmo sem querer e sem perceber passaram o caminho todo pensando um no outro, ela maldizia o idiota que quase a derrubou e ele em como uma garota tão bonita poderia ser tão sem educação.
Ao subir no ônibus ele percebe uma pulseira enroscada no seu moletom…
– É muita sorte! Diz ele com um ar de sarcasmo no rosto.
Ela ao dar por falta da pulseira maldiz irritada - E o idiota ainda leva minha pulseira!



No dia seguinte ele vai para o ponto mais cedo na esperança de devolver a pulseira e se ver livre, já não entende como pode passar a noite olhando para aquele objeto ridículo, a verdade é que o objeto chamava atenção por ser dela e o rosto dela não saía de sua mente. Aqueles olhos, o cabelo, o perfume que ele sentiu. Bastou uma unica vez, não a conhecia mas foi o suficiente pra se prender a ela. Estava decidido a devolver a pulseira e pronto, porem sua condução chega e nada da garota aparecer, ele sobe no ônibus e ao sentar no banco próximo a janela ela aparece.
Ele a chama pela janela balançando a pulseira – Ei! Te entrego amanha! Ela olha com ar de desprezo e resmunga baixinho enquanto vê o ônibus se perder de vista - Até parece que vou esperar! E no dia seguinte ela espera, espera porque não para de pensar “naquele idiota” que consegue lhe tirar do serio e a desconserta só de lhe olhar, mas tenta enganar a si mesma afirmando que está lá pela pulseira e nada mais.
Jamais ela uma garota que tinha qualquer cara aos seus pés admitiria estar pensando no carinha estabanado que atropelou na calçada. Ele se aproxima dela com seu jeito meio seco e diz meio sem graça…
- Quase não te devolvo não merecia menina.
- A claro, não me surpreenderia , anda me dá logo!
- Você não se cansa de não ter tão sem educação menina?!
- Vai devolver minha pulseira ou não?!
Ele se perdeu por segundos nos trejeitos dela, e no jeito que sua boca se mexia enquanto falava, em como mexia nos cabelos o tempo todo e o cheiro dela que a brisa da manhã trazia até ele.
- Ei além de idiota é surdo?! Tô falando com você… Minha pulseira!
- Espera… Antes tenho que te pedir desculpas
- Por me atropelar?! Já pediu, anda devolve!
- Não! Por isso eu já pedi… Peço desculpas por outra coisa..
- Pelo que? Ah não acredito arrebentou minha pulseira?! Fala! Desculpas pelo que?
Ele a puxa pela cintura e ela subitamente se cala, ele a beija sem dar tempo que ela reaja… ela não oferece resistência alguma, se entrega num beijo intenso e demorado… Ele se afasta… Sorri olhando pra ela e sobe em seu ônibus que já estava ali parado e diz – Por isso!

Totalmente sem ação ela para no tempo por segundos e quando volta a si só consegue dizer…
- Seu idiota, minha pulseira!!!
Mas não foi só a pulseira que ele levou e sim seus sentidos, seus pensamentos que param no tempo no momento do beijo.
Um tipinho tão comum como tantos outros que ela já via visto, já havia beijado outras bocas mas aquele beijo…Como um garoto abusado conseguia tira-la tanto do sério, ele nem era bonito, pensava ela.
Ele mal acredita no que acabará de fazer, mas sem dúvida ela despertava nele um lado que ele mesmo desconhecia e estava gostando do que via.
Tão diferentes e tão humanos, os dois perdidos em um pensamento em comum…O beijo.
No dia seguinte ele chega antes dela ao ponto e ao vê-la chegar ele entrega a pulseira sem dizer nada.
- Esta engando se acha que vai rolar alguma coisa por causa..
- Ele interrompe - Não tô achando nada, foi só um beijo e nem foi tão bom assim.
- Oque?!
- Sei que você quer que eu te beije de novo mas sinto muito.
- Aff! como você é …
- Ei não insiste não vai rolar!
-Já chega, vou embora idiota!
Ele a segura pelo braço a impedindo de partir, a olha nos olhos e sorri dizendo - Tá bom vai, já que insiste!..E a beija novamente …

Será mesmo que os opostos se atraem? Será mesmo que pra dar certo temos que curtir as mesmas coisas e ter gostos bem parecidos? Ou será que essa é só mais uma dentre muitas outras regras que nós insistimos em criar pra definir um relacionamento “perfeito”?
No amor não existe regras, ou melhor, no amor a única regra é amar.

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2 comentários

  1. Eu gosto tanto desta historia :)

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  2. "No amor a única regra é amar!"
    Awn, que clichê mais fofo!

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